A nuvem que passa sob o meu olhar
causa tempestade devastadora
redemoinhos da minha alma
figura mitológicas monstruosas
Hoje tive um sonho brando
no qual caminhava só num campo
lá não tinha dor, nem pranto
ao meu lado: um amigo anjo
com sua dourada harpa, cantando...
Nuvens de mel no colorido céu
pensamentos abstratos voavam
o vento soprava azul o seu véu
ambiente místico e bucólico
meus sentimentos se misturavam
na doçura da pétala de rosa branca
onde não se desmancha o que é sólido
Acordei respirando a felicidade
a batida do coração... um compasso tranqüilo
doces imagens lá fora da minha cidade
eu era Vênus, Helena de Tróia ou a rainha do Nilo
mistura de magia, encanto e gozo
alma livre sem desejo ou vontade
porque vontade é sofrimento
Só que o doce tem gosto amargo
e cada vez que desvio o olhar encontro a sombra
os rostos cansados nas calçadas
os buracos nas ruas, as rugas, tudo é fenda
descompassado... assim é o universo
o amor é antigo, puramente lenda
a realidade é carente, cansada e estática
as bocas têm hálito de mágoa
os olhos têm o brilho triste do fracasso
o coração, um acelerado descompasso
A tempestade recomeça porque é cíclica
monstros dentro do meu ser são inexoráveis
minha única certeza é a morte
a mais bela flor murcha
assim como murcham meus sonhos
a observação é o abismo do homem
feliz daquele que não observa e não critica
pois nele há contentamento eterno
...sabia que você era poetiza!!...quem conheçe a lingua e se embrenha no emaranhado de palavras que só o Português permite,torna-se sem quer em colecionadora e feitora de versos...é inevitável!!! Lindo Andréa!!
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